Memorial de Araras

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Nelson Martins de Almeida

Nasce em Araras, na Fazenda Campo Alto aos 19 de março de 1918.

Sua longevidade - 94 anos - permitiu-lhe vasta obra histórica entre as quais destacam-se:

- Álbum de Araras

- Álbum de Araraquara

- Álbum de Rio Claro

Com o Documentário Histórico editado em 1948 sagra-se o

"HISTORIADOR DE ARARAS"

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NELSON ESCREVE SOBRE SUA PRODUÇÃO HISTÓRICA / EDITORIAL

A razão de nossos escritos sobre a História de Araras, município, em que tivemos a ventura de nascer, está em que nos achamos empenhados, há vários anos, na compilação e pesquisa dos fatos esparsos que a compõe e, que vem sendo publicados periodicamente, através da imprensa. [Neste ínterim, resgatado por meio deste trabalho in blog “Memorial de Araras – nota Inajá Martins de Almeida - filha]

Seguindo a um conselho do saudoso prefeito Francisco Graziano, em cuja gestão tivemos a oportunidade e a honra de escrever e lançar o ÁLBUM DE ARARAS, ed. 1949. (Nelson Martins de Almeida e Mamede de Souza)

Após intensas pesquisas na Biblioteca Municipal de Araras, e outras fontes a que tivemos acesso, passamos a pesquisar junto aos próprios livros de atas da Câmara Municipal, onde fomos “fuçar” em velhos papeis e amareladas páginas manuscritas, tudo o que os nossos antigos fizeram em prol desta comunidade que hoje se orgulha de sua modelar e organizada urbe.

O livro de atas mais antigo que então encontramos havia sido o de 1892, e demos inicio à nossa perquirição histórica, transportando-nos para aqueles idos do pioneirismo heróico de nossos ancestrais, empolgando-nos com a magnitude de seus gestos de trabalho abnegado e desprovido de qualquer compensação material, mas sempre visando o bem da coletividade do burgo incipiente, e do seu desenvolvimento gradativo.

Ora, o gesto magnânimo de seus fundadores – Bento de Lacerda Guimarães e José de Lacerda Guimarães – doando as terras para o Patrimônio; depois a comissão camarista trabalhando ativamente para a construção de um templo majestoso a ser erguido na imensa praça descampada; os médicos abnegados a combater as epidemias, as febres de mau caráter e fundando a sua santa casa de misericórdia; os heróicos pioneiros da imprensa a enfrentar, no seu idealismo puro, as intempéries de omissão, do descaso e da ignorância, os fundadores de fazendas, plantadores de cana-de-açúcar, da mandioca e do café, que vieram a enriquecer a Nação; os rasgadores de sertões implantando trilhos de aço das estradas de ferro que fomentaram o progresso e trouxerem aos campos a civilização contemporânea.

Havíamos, pois, partido em nossas pesquisas, do livro de 1892; mas, refletindo sobre que o município se instalava a 07 de Janeiro de 1873, ou seja, dezenove anos antes, voltamos a uma procura mais intensa nos velhos arquivos, até que, finalmente, encontramos os almejados livros anteriores, inclusive o primeiro livro de atas, iniciado em 1873.

Somos de parecer que estes livros são históricos, e deveriam estar aos cuidados da Biblioteca Municipal, pois que transcendem ao interesse dos próprios vereadores e da Câmara, para se situarem como uma relíquia pode ser preservada pela própria Biblioteca.

Durante anos, nas horas ociosas, fizemos as nossas pesquisas, uma luta contra o tempo, já que precisávamos viver e, não poderíamos nos fixar apenas neste trabalho, para o qual ninguém nos remunera. E, quanto mais nos aprofundávamos em nosso mister, apesar das restrições caseiras pelo nosso diletantismo, o nosso “hobby” de nenhuma compensação material, mas sumamente espiritual, no silêncio de nossa sala de trabalho, frente a máquina de escrever, íamos nos empolgando cada vez mais com a riqueza dos acontecimentos esparsos, esquecidos entre os arquivos nunca lembrados.

E foi assim que descobrimos fatos interessantes que a maioria dos conterrâneos ararenses desconhece. Enriquecemos sobremaneira com novos fatos aqueles que poucos conhecem. Isto nos possibilitará dar nova dimensão a História de Araras, de que se servirão os ararenses de hoje, e, os vindouros, interessados em melhor conhecer a formação desta cidade.

Estes conhecimentos, que passamos a ter através das documentações pesquisadas, aliados aos que já trazíamos de nossos trabalhos anteriores que, desde 1948, vimos fazendo para esta cidade, nos possibilitaram apresentar a Prefeitura Municipal, quando assessor de imprensa, um trabalho pessoal de que nos orgulhamos: o levantamento da nomenclatura das ruas de Araras.

Desse trabalho, chegamos a conclusão de que mais de 100 vias públicas estavam sem nomes, identificadas apenas por números ou letras, como eram os casos dos bairros Jardim Candida, Jardim Fátima e outros.

Apresentamos um trabalho com mais de 100 nomes de vultos ararenses, esquecidos no tempo, mas legendários na História, pelo que fizeram em prol de sua comunidade, a sua época.

Vultos como: Olympio Portugal, o primeiro cientista a aplicar o soro antiofídico no Brasil; Clementino Canabrava, autor de várias proposições; Ascânio Villasboas, que tanto trabalhou para a implantação da iluminação pública de Araras, ao tempo dos românticos lampiões a querosene. Neste trabalho, os nomes foram apresentados, seguindo-se ligeiros traços de sua atuação que os justificavam.

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quarta-feira, 20 de março de 2019

O ÁLBUM DAS BANDAS DE ARARAS E A LINHA DO TEMPO

Engavetado por décadas, notas apontavam edição. O tempo avançava. Seu compilador recolhia fatos históricos que o tempo em si registrava, mas os registros permaneciam em silêncio. A composição ainda requeria toques sutis que somente o tempo traria.



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Vez ou outra a gaveta se abria e ansiava tornar-se público aquele vasto calhamaço de notas. Era a composição que se apresentava a frente do mestre que não pudera dar um final a obra, porque o tempo avançava, acontecimentos apontavam novas notas. Não se permitia a saída em rascunho para a edição impressa.

Seu idealizador, consigo detinha o laurel dos álbuns; este lhe significava um fazer em notas; não mais apontamentos de personagens e fatos que o passado registrava, mas de uma vivência entre as notas do pentagrama, para as notas máximas de uma composição de jurados que se levantava ante os trinados, os estacatos, pianíssimos incríveis, movimento interior dinâmico, nível técnico elevadíssimo, emoção estética; uma verdadeira escola de música; qualidade de músicos, indiscutível. Participávamos da história... Vivenciávamos o momento, quantos em êxtase.

Recolhia provas contundentes em jornais, entrevistas, conversas, dados biográficos. Apontava o século XX que adentrava quando biografava um jovem italiano que, ostentando a batuta, arregimentava uma verdadeira plêiade de músicos mirins a tocarem como “gente grande”.

Músicos que sob sua regência já demonstravam em conquista durante os preparativos do Centenário da Independência do Brasil, em São Paulo, no quartel da Força Pública, a garra de um município – Araras – que já detinha em si a veia musical de um povo.

Este era o maestro Francisco Paulo Russo, a inspirar outros maestros que o precederiam.

Maestro Pelegatta, aquele que valorizava os mínimos detalhes, elevava seus músicos à excelência ; ousado e tendo em mente o mestre Francisco Russo, que lhe apontara caminhos, alça a batuta a patamares mais altos, quando traz para o município títulos, troféus e premiações, regionais, municipais, estadual e o laurel nacional que consagraria a cidade e sua Corporação como a Banda de Todas as Bandas, e o município que tinha a melhor banda do Brasil. Maestro que cumpriria sua jornada e a batuta  transmitiria a outros mais que o precederia num mesmo diapasão; maestros que sobre si clamavam a responsabilidade do título nacional. Resposta às habilidades.

Partiram os músicos que dominavam seus instrumentos com a perfeição das notas afinadas, e que consigo traziam à memória títulos e troféus conquistados, numa época em que se respirava música em todos os cantos da nação, agora seus nomes, memórias de suas ausências - lembranças. Partiram assim, integrantes da grande conquista sem terem à mão registros passados que o tempo faria presente e os eternizariam num álbum.

Amantes das retretas que bailavam, rodopiavam ao repique de marchinhas, valsas, boleros, baiões, angariavam valores para homenagear a corporação com símbolo em praça pública, a Lira em bronze, num pedestal de mármore branco carrara, que saiam em carnaval, mesmo fora de época, com faixas, aguardando os heróis nacionais que subiam em caminhões de bombeiros a desfilar ao redor da praça. Estávamos em julho de 1977. 

Anônimos que não puderam alcançar o álbum a registrar o momento festivo. Partiram... Quantos.

Este era o Historiador, Nelson Martins de Almeida, aquele que se tornara detentor de álbuns editorados: futebol paulista, municípios – Araras, Araraquara, Rio Claro, sai do cenário editorial deixando inédita obra que viria quarenta anos após a grande conquista - 2017.

Partira seu idealizador, historiador de tantas edições, de tantas composições históricas, jornalísticas, literárias, sem o sentir suas notas serem apreciadas pelos músicos remanescentes, pelo público de sua cidade natal, pelos amigos, parentes, filha, netos e bisnetos. O álbum em rascunho continuaria engavetado até ser encontrado.

Partira seu idealizador, mas legara sua maior herança à filha e sobrinha que, ao abrirem a gaveta o som das notas se fez saltar em uníssono e as duas puderam se exercitar na composição que agora ganhava outras mãos.

Não mais era um concerto de um que pautava em seu affair solitário, seu fazer, registrar e editar a história, mas de duas filhas que se tornariam muito em breve “filhas da história”, cognome este que o jornalista Lucas Neri soube esboçar ao ar em entrevista a TV.

E eis que o encontro das duas filhas, de um lado Matilde, filha de Carlos Viganó o músico que permaneceu por mais de sessenta anos na corporação, que viu chegar e partir músicos, tantos, que fora alcançado pelo maestro Francisco Paulo Russo e, de outro, Inajá, filha do historiador, acostumada aos apontamentos, aos registros, aos títulos, às eloqüências, às fotos, aos encontros e, acima de tudo, a grande paixão pela escrita, pela história, pelos personagens que o pai lhe apontava em todos os momentos nos bastidores da vida cotidiana, o rascunho engavetado agora ocupa o cotidiano das primas que se esmeram em avançar o tempo e trazer o passado ao presente, num emaranhado de fatos, acontecimentos e personagens que os anos comporiam.

Maestro Marco Antonio Meliscki sai da sua posição de músico clarinetista, para ostentar a batuta e levar a banda a patamares outros. Avança na linha do tempo e a transforma em Orquestra – agora de sopros – aquela mesma banda que em 1910 despontava majestosa, com seus jovens que tocavam como “gente grande”.

A escola de Música “Carlos Viganó”, decorridos os anos, viria cumprir o que um dos jurados, na época, almejara para aquela que conquistava aplausos, risos, choros, emoções – “uma verdadeira escola de música”.

O “Álbum das Bandas de Araras” agora é a concreto. É a realização do sonho de um nas mãos de duas partícipes de todos os acontecimentos, passado, presente com vistas ao futuro.

Agora, neste 2019, é a Linha do Tempo a comemorar 28 anos da criação do Teatro Estadual de Araras a homenagear a Orquestra de Sopros e o Álbum, o qual permitiu contar em linhas a trajetória dos 140 anos de envolvimento musical e artístico, numa cidade que já despontava vocacionada a arte e, claro, o Maestro Francisco Paulo Russo que legara o nome ao Teatro e a Orquestra. Assim três homenageados numa mesma linha: Maestro, Orquestra e Álbum.

O tempo, nessa linha idealizada pelo jovem Daniel, insiste, persiste e não desiste em abrir gavetas.  

Futuro esperançoso, numa geração que já desponta em notas e pautas, seguindo passos firmes e seguros o sonho iniciado há mais de um século, quando jovens, do lado musical, um italiano de 16 anos, recém instalado na cidade, vindo da Itália emprestava seu dom e talento ao município que nascia musical em seu cerne, de outro, homem maduro aos seus 32 anos, nascido na cidade ararense, consigo trazia a vocação das letras, em suas inúmeras composições editoriais, seguiria seu talento dedicando ao município vasto legado histórico, a culminar com o Álbum das Bandas, o qual,  nas mãos da filha e sobrinha vem agregar à cidade valor expressivo em notas históricas.  

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Nesta tarde de  22/03/2019 nas dependências do Teatro Municipal de Araras Maestro Francisco Paulo Russo, Inajá e Matilde são entrevistadas para a TV Opinião.
A matéria, edição e filmagem do jornalista Rafael Siviero e da cinegrafista Rosi Bispo demonstram o profissionalismo de dois jovens que despontam no cenário editorial.
O tema "A Linha do Tempo", criação do produtor de teatro Daniel Pereira, sob a coordenação da APAA, contemplou os 28 anos de inauguração do Teatro, homenageou a Orquestra de Sopros que leva o mesmo nome e o Álbum das Bandas, unindo assim numa exposição clara e dinâmica 140 anos de manifestação artística, musical e cultural do município  de Araras, marcando também a emancipação do município - 148 anos.   






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