Palavras, olhares, sentimentos podem nos encontrar, desde que tenhamos aberto os sentidos para absorvê-los.
Olhava meu pai – o historiador, o realizador de tantas publicações, e não me encontrava memoralista, dado ao fascínio que me provocava, em tempo distante. Sentia-me como que impossibilitada aos registros, pois afinal, era ele, meu pai, o escritor, detentor de prerrogativas tais, a meu olhar de filha, que me distanciavam do fazer linhas, mesmo a despeito dos comentários elogiosos e notas significativas do professor Bertolino, no colégio na década de 1960, a referir-se a mim o escrever tão bem quanto ao pai, do qual ele era admirador incondicional.
Jamais nos distanciamos em presença física, tampouco em transmissão de conhecimento. Sempre nos mantivemos presentes, tanto que, ao buscar subsídios para esta composição, lágrimas encontraram-me em pura emoção.
Sem que o soubesse encontrara em minha escrivaninha um texto em que registrava minha viagem ao sul – 1967 – com minha avó Ana e minha mãe, editava em sua Revista de Araras, volume 6. A partir desse momento e nas edições que se seguiram, ao todo onze, meu nome figuraria em seu expediente como colaboradora, muito embora jamais tenha escrito qualquer texto que fosse, a não ser o que publicara, dado a timidez peculiar da adolescência.
Recentemente, ao remexer velhos papéis, publicações daquela época as Revistas de Araras me encontraram e me presentearam com essas lembranças a que me refiro nestas linhas.
Meu pai. Minha força. Minha inspiração. Comigo esteve presente durante longa jornada - você parte aos 94 anos, deixa-me então com 62.
Meu pai. Neste 19 de março de 2018 você completaria 100 anos.
Que maravilha saber que avançou o tempo, em memória, em lembranças, tão reais que, ao estar declinando estas palavras, o sorriso me salta o rosto, pois que nossas vidas foram enriquecidas pelo sentimento terno e puro de amor paterno e filial.
Gratidão maior estar aqui e saber que a ti a continuidade de propósito só a Deus pertence.
Gratidão pela tua presença sempre constante em meu viver. Pelo legado que a nós concedeu que fora a edição da obra o "Álbum das Bandas de Araras" que, embora não tenha participado do brilhantismo da entrega à municipalidade, tudo o quanto fizemos foi como se naquele instante lá estivesse - você (meu pai) e tio Lico.
Teu nome, realmente foi e permanecerá escrito na História de Araras e, em circunstância alguma, jamais deixará de ser lembrado. Ademais, outras tantas obras estão relacionadas a outros municípios – Rio Claro, Araraquara e tantos mais, os quais resgatei e agreguei em sua biografia, ainda que fragmentada.
Os blogs - Historiador I e Historiador II (Memoriais de Araras) permanecerão no virtual, quando então a tecnologia abre as janelas do infinito...
Por Inajá Martins de Almeida





