REVISTA DE ARARAS - Ano I- Maio / Junho 1966 - nº 1
REVISTA DE ARARAS - Ano I - Julho / Agosto 1966 - nº 2
REVISTA DE ARARAS - Ano II - Abril 1967 - nº 3
REVISTA DE ARARAS - Ano II - Maio 1967 - nº 4
REVISTA DE ARARAS - Ano II - Junho 1967- nº 5
REVISTA DE ARARAS - Ano II - Julho 1967 - nº 6
REVISTA DE ARARAS - Ano II - Novembro 1967 - nº 7
REVISTA DE ARARAS - Ano III - Dez/67 - Jan/68 - nº 8
REVISTA DE ARARAS - Ano III - Fev 1968 - nº 9
REVISTA DE ARARAS - Ano III - Março-Abril 1968- nº 10
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Dentre tantos assuntos interessantes que aborda a Revista de Araras, chamou-nos colocar neste espaço dois artigos um da escritora Raquel de Queiróz - Velhas Revistas - em que registra momentos de época na década de 20 e outra do autor, jornalista e historiador Nelson Martins de Almeida - Jornalismo, as quais são transcritas em sua íntegra. As gerações necessitam adentrar o tempo passado, ainda que por meio deste veículo, uma vez que as Revistas em número de 11 fascículos não foram reeditadas e o tempo pode ter sido cruel também a estas, como o foram aquelas de Raquel de Queiróz.
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JORNALISMO
Nelson Martins de Almeida
Uma das profissões mais apaixonantes é o jornalismo. E, no então, não é a que maiores rendimentos proporcional àquele que se dedica ao mistér de escrever para informar o público, defender os direitos do povo ferido pela ambição dos plutocratas, ou desmandos políticos. Não, raro o jornalista percebe rumos que se lhe antepõem para um caminho de melhores proventos financeiros, mas em atuações que em nada condizem com seu espírito sempre ligado às coisas que dizem respeito a seus semelhantes, à causa pública, enfim.
O jornalista é receptáculo por onde se filtram os anseios do público, por onde se canalizam todos os fatos cotidianamente decorridos, anteparo das reivindicações humanas. É o porta-voz dos direitos adquiridos pelas massas. Toma o jornalista, conhecimento das causas, sente-as em seu íntimo, emociona-se em sua alma sensitiva, vibrando de entusiasmo ou de revolta, conforme o conteúdo que elas encerrem: a justiça, ou o seu reverso. Se, uma medida favorável ao bem público, partida daqueles que tem em mãos o direito de administrá-lo, o jornalista, recebendo como que uma força magnética emanada do próprio público beneficiado, as manifestações de alegria que o ato lhe causa, transmite da pena para o papel, o seu efusivo cumprimento de crítica elogiosa à medida benéfica que a tantos venha a favorecer.
Se, pelo contrário, sentir injustiça, ou erro, que um ato possa provocar, ele se revolta, seu íntimo vibra na corda sensitiva de seu temperamento, porque sua vida está intimamente ligada aos sentimentos nobres de seus semelhantes e, por consequência, toda a ação em detrimento da coletividade é uma lei que redunda em desfavor do jornalista consciente de seu dever.
O jornalista, por isso, detém em suas mãos a profissão mais apaixonante... "Le plus passionant metier du monde", como diz o jornalista francês, sr. Claude Morgan. Se por um lado essa éa definição do jornalismo, por outro, é ela classificada pelo jornalista Francisco Patti, - "a mais perigosa".
Não há dúvida! O jornalista traz consigo a mais perigosa profissão do mundo. Sim, porque ela não pode ser covarde. Tem que enfrentar, muitas vezes, situações arriscadas e desconcertantes. Sua pena tem que ser rígida, inflexível dura como o aço, quando se defronta com medidas escusas partidas de mandatários poderosos, como os governos, que podem dispor de meios violentos para a vingança às críticas recebidas.
Nenhuma ameaça, porém, intimida o jornalista, quando este é consciente de seus deveres. Ele enfrenta a injustiça dos homens que abusam do poder, submete-se, se preciso, ao sacrifício que se lhe imponha. Denuncia a podridão dos atos sórdidos de políticos menos escrupulosos, ataca a administração governamental quando esta não se presta às esperanças do público, ao direito do povo, ao progresso da pátria.
Por isso tudo, o jornalismo é a mais apaixonantes profissão do mundo. Por isso tudo, a mais perigosa!...
(Nelson Martins de Almeida - Jornal de Araras nº 61 - 23.10.1952 e
Revista de Araras - Ano III - Março-Abril 1968- nº 10)
VELHAS REVISTAS
Raquel de Queiróz
Mexendo nas estantes da fazendo descobri um tesouro de defuntas revistas (revistas nasce, vive e morre como se fosse de carne igual a nós). "Fon-fon", "Careta", "Seleta", "Revista da Semana", "Jornal das Moças", datando de 1920, 22 até 24. Tudo desaparecido. Certo número da Fon-fon, novembro 1922, apresenta em primeira página uma foto histórica: a nova administração do país. O sr. Artur Bernardes com o eu ministério, nas escadarias daquele mesmo Palácio das Águias em que se dizia em que Seu Mé não poria o pé. E o pôs, e quanto! Seguem-se páginas e páginas com mais fotos das solenidades da posse - na Câmara, na rua, em salões não identificados.
O que primeiro impressiona a gente é a elegância dos homens públicos. Tudo de casaca, e casaca evidentemente, deles mesmos, bem sentada, bem talhada, e não alugada no Rôlas. Botinas de abotoar, cano de casimira. Cartolas lindas, impecáveis. Luvas! De pelica branca, carregadas na mão como noivas. Outro detalhe é que todo pessoal - empossados e desempossados - como era tudo velho. Nesse tempo parece que não era bem homem público galgas as grandes posições antes da idade provecta.
O ano era o do Centenário e nas abundantes ilustrações (as revistas são ilustradíssimas e muito bem impressas em papel cetim) apresentam muitos aspectos das festas no recinto da Exposição. O Presidente Epitácio brilhando em várias cerimônias, sempre de fraque e cartola. E que lindos bigodes tinha ele e vários outros senhores de 1922! Nas fotos de rua, todo o mundo de chapéu, senhoras e cavalheiros. Os homens quando não eram autoridades, davam preferência à palheta. As damas se cobriam com coisas que pareciam empadas, toucas de bebê, tampas, embabadas, enlaçarotadas, floridas. Foi muito bom ter-se acabado a moda de chapéu feminino - os de 1922 eram horríveis. Aliás a moda do período não favorecia muito a mulher. Busto não se via - que é que elas faziam dos bustos? A cintura descia fôfa até os quadris, o palmo de perna vinha em meia branca ou preta, os sapatos eram espessos - os penteados de fofinhos em cima das orelhas - tinha tudo um ar jeca e mal amanhado.
Era um tempo feliz para as mulheres gordas. As magras parece que ainda eram oprimidas, e se envergonhavam das suas angulosidades, escondendo-as em bufantes e babados. Mas as gordas se espanejavam, os colos em decotes amplos os braços roliços de fora.
Na "Revista da Semana" há uma seção "A beleza carioca" que hoje em dia é das mais indiscretas. Muita mademoiselle que ali aparece fazendo pose ainda hoje funciona recauchutada, tirando onde de jovem senhora. É incrível como entre todo esse material perecível ainda é a carne humana a mais resistente.
(REVISTA DE ARARAS - Ano III - Março-Abril 1968- nº 10)
REVISTA DE ARARAS - Ano III - Junho 1968 - nº 11
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